Morador de Sorriso conquista na Justiça medicamentos de alto custo para tratar melanoma metastático

Após ação da Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso (DPEMT), Jorge Davoglio, 74 anos, residente em Sorriso, obteve na Justiça o direito ao fornecimento de medicamentos para tratar melanoma metastático. A imunoterapia, única alternativa eficaz para a doença, garante a sobrevivência do idoso há mais de quatro anos, com doses que podem ultrapassar R$ 159 mil.

Diagnosticado em 2019 com o melanoma, um tipo de câncer de pele agressivo e de difícil tratamento, Jorge enfrentou inicialmente sessões de radioterapia em Cuiabá, sem sucesso. Após a recomendação de um especialista para iniciar a imunoterapia, ele foi encaminhado ao Hospital de Câncer de Barretos-SP, mas o início da pandemia de Covid-19, em 2020, interrompeu o tratamento, deixando o agricultor aposentado sem acesso aos medicamentos essenciais.

Sem condições financeiras de arcar com os altos custos dos remédios Ipilimumabe e Nivolumabe, ainda não disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS), a família buscou ajuda da Defensoria Pública em Sorriso. O defensor público Ubirajara Vicente Luca ingressou com uma ação na Justiça, solicitando a disponibilização imediata dos medicamentos.

Em decisão de junho de 2020, o juiz José Luiz Leite Lindote, da 1ª Vara Especializada da Fazenda Pública de Várzea Grande, concedeu tutela de urgência em favor de Jorge, reconhecendo a gravidade da situação e determinando o fornecimento dos remédios pelo Estado e pelo Município de Sorriso. A decisão também previu avaliações médicas periódicas para garantir a continuidade do tratamento conforme a necessidade clínica.

Desde julho de 2020, Jorge recebe mensalmente as medicações na ala de oncologia do Hospital Santo Antônio, em Sinop. A cada 28 dias, o tratamento é administrado, acompanhado de exames regulares a cada seis meses. Segundo a família, o suporte viabilizou o bem-estar do aposentado, que se mantém lúcido e com qualidade de vida.

O custo do tratamento ultrapassa R$ 1 milhão, com despesas que incluem ciclos de medicamentos e exames específicos. O último alvará judicial, expedido em setembro deste ano, garantiu R$ 159.978,00 para a continuidade do tratamento, após a Justiça determinar o bloqueio de valores na conta do Estado devido ao não cumprimento voluntário da decisão.

A história do sorrisense Jorge Davoglio reforça a importância do acesso ao direito à saúde e à Justiça como instrumentos de proteção à vida em situações de extrema vulnerabilidade.

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