Juíza nega restituição de bens de alvos da Operação Sepulcro Caiado

A juíza do Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias, Fernanda Mayumi Kobayashi, negou pedidos formulados pela defesa de Cláudia Regina Dias de Amorim e Guilherme Porto Corral para restituição de bens apreendidos no âmbito da Operação Sepulcro Caiado, a qual os dois foram alvos em julho deste ano. A operação visou desarticular esquema envolvendo advogados e servidores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) que resultou em desvios da Conta Única na ordem de R$ 21 milhões.

Conforme os autos, a defesa de Cláudia requereu a restituição de um veículo Toyota Corolla, um Iphone e outro aparelho celular. Já a defesa de Guilherme pediu a devolução de transferências bancárias e de todo o produto da busca e apreensão realizada na residência do casal, requerendo a restituição plena dos veículos de sua propriedade Ford Ranger, Ford Territory e joias pertencentes a Maria Ângela.

O Ministério Público (MPMT) manifestou-se contrário ao deferimento dos pleitos defensivos.

Em análise a magistrada avaliou que os pedidos não merecem acolhimento, dado que a investigação criminal permanece em andamento e a liberação antecipada dos bens poderia comprometer a colheita de provas e dificultar o completo esclarecimento da dinâmica delitiva.

“Quanto ao veículo Toyota Corolla XEI 2.0, conquanto a defesa da investigada Claudia tenha juntado comprovantes de financiamento e quitação, persistem sérias dúvidas acerca da compatibilidade entre a renda declarada e a capacidade financeira da investigada para adimplir as parcelas, sobretudo considerando o padrão de vida ostentado pela parte. A simples apresentação de recibos não afasta a possibilidade de que os recursos empregados tenham origem ilícita, especialmente em investigações que apuram crimes de lavagem de dinheiro”, cita a juíza.

Além disso, referente os aparelhos celulares foram considerados “fontes primordiais” de prova digital, aptas a revelar comunicações, registros de operações financeiras e outros elementos imprescindíveis à elucidação dos fatos. A restituição dos aparelhos é considerada prematura, dado que a perícia técnica demanda rigor e tempo e ainda não foi concluída.

Referente aos valores de transferências bancárias entre Guilherme e outro invstigado, Augusto Frederico Ricci Volpato, as quais a defesa alega serem fruto de transações comerciais lícitas de compra e venda de gado bovino, a juíza entendeu que “tais alegações não afastam a necessidade de manutenção da constrição”.

“A exibição de notas fiscais, guias de trânsito animal e comprovantes de pagamento não é suficiente para afastar, de maneira definitiva, a suspeita de que os valores tenham origem ilícita. Em investigações de lavagem de dinheiro, é comum a utilização de transações formalmente regulares para mascarar capitais de procedência criminosa. Ademais, a apreensão das joias pertencentes a Maria Ângela não se revela desarrazoada. Embora não figure como investigada, os bens foram encontrados na residência do casal, local da diligência, circunstância que permite inferir possível conexão com a suposta prática criminosa, justificando a manutenção da constrição até a completa elucidação dos fatos”, acrescenta.

Diante do exposto, os pedidos foram indeferidos pela magistrada, sendo mantidos sob custódia os bens apreendidos até que se demonstre a origem lícita e a desnecessidade da constrição para a persecução penal.

Foi determinada ainda a nova verificação do cumprimento das medidas cautelares como comparecimento mensal em Juízo, para informar e justificar suas atividades; proibição de ausentar-se da comarca sem autorização do juiz; proibição de manter contato com os demais investigados; proibição de deixar o país, com entrega de passaporte e uso de tornozeleira eletrônica.

 

Veja também

Prazo para pedir isenção da taxa de inscrição no Enem começa no dia 13

Proposta de subsídio ao diesel importado tem adesão de 25 estados

Violência: pedido de audiência de retratação deve partir só da mulher

Artigo: Entre o parágrafo e o abismo

TJMT Inclusivo abre inscrições; evento debaterá inclusão e direitos de pessoas com deficiência

Médicas Legistas ministram formação nacional sobre protocolo da ONU de combate aos crimes de tortura