Discussão tem gerado divergência entre parlamentares e a população, reacendendo discussões sobre representatividade, custos públicos e equilíbrio na fiscalização do Executivo.
O debate sobre o possível aumento no número de vereadores em Sorriso voltou a tramitar na Câmara Municipal e já gera posicionamentos divergentes entre os parlamentares. O tema foi retomado após a reserva de pauta feita por vereadores, abrindo espaço para discussões iniciais sobre a ampliação das cadeiras no Legislativo.
Em entrevista, o vereador Rodrigo afirmou que, apesar de reconhecer que o crescimento populacional do município pode justificar a medida no futuro, neste momento se posiciona contra a proposta. Segundo ele, a cidade ainda precisa avançar em estrutura administrativa, organização interna e prioridades essenciais antes de discutir o aumento no número de parlamentares.
Rodrigo destacou que Sorriso projeta crescimento acelerado para os próximos anos, podendo chegar a uma população próxima de 200 mil habitantes até 2028 ou 2030. No entanto, reforçou que a ampliação não deve ser feita de forma precipitada, já que envolve aumento de custos públicos, como salários, assessorias e estrutura da Câmara.
O vereador também defendeu que a discussão seja feita com transparência e participação popular, lembrando que propostas semelhantes no passado causaram repercussão negativa por falta de diálogo com a sociedade.
Por outro lado, a vereadora Jane, uma das parlamentares que solicitou a reserva do tema, defendeu a abertura do debate como forma de buscar equilíbrio na representatividade política. Segundo ela, o principal objetivo é fortalecer o papel fiscalizador da Câmara e garantir maior defesa dos interesses da população.
Jane argumentou que o município já possui uma população estimada em cerca de 140 mil habitantes, além de aproximadamente 70 mil eleitores e mais de 230 mil registros no cartão SUS, o que evidencia a demanda crescente por serviços públicos e representação política.
De acordo com a vereadora, independentemente do número de parlamentares, as demandas da população continuam chegando ao Legislativo, o que reforça a necessidade de uma estrutura mais equilibrada para atender essas demandas.
Ela também criticou a atuação da Câmara em alguns momentos, citando decisões como a autorização para o Executivo manusear até 20% da arrecadação municipal, e questionou se, com uma atuação mais alinhada aos interesses da população, o município já não teria avançado mais em áreas como saúde e infraestrutura.
Para Jane, o papel do vereador é defender o cidadão e atuar com independência em relação ao Executivo. “A Câmara é uma instituição independente, que deve ser harmoniosa, mas não subordinada. O vereador não está aqui para defender governo, e sim a população”, afirmou.
A vereadora ainda destacou que, com maior representatividade e equilíbrio entre os parlamentares, seria possível fortalecer a fiscalização e melhorar a tomada de decisões dentro do Legislativo.
O tema segue em fase inicial de discussão e deve avançar com novos debates, estudos técnicos e, principalmente, participação da sociedade antes de qualquer decisão definitiva.