Desde 1985, pessoas analfabetas voltaram a ter garantido o direito ao voto no Brasil, ampliando a participação democrática no país.
Levantamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostra que Mato Grosso terá 84.610 eleitores analfabetos aptos a participar das eleições de 2026. Embora representem uma parcela significativa do eleitorado, esse contingente é cerca de oito vezes menor que o grupo de cidadãos com ensino médio completo, que lidera o ranking da escolaridade no estado.
Os dados do TSE apontam que os eleitores com ensino médio completo somam 715.865 pessoas, formando a maior faixa do eleitorado mato-grossense. Em seguida aparecem aqueles com ensino fundamental incompleto, que totalizam 526.048, e os com ensino médio incompleto, que chegam a 485.883 eleitores. O estado ainda contabiliza 362.953 pessoas com ensino superior completo, 173.647 com ensino superior incompleto e 142.937 que concluíram apenas o ensino fundamental.
O direito ao voto para pessoas analfabetas foi restabelecido em 1985, com a promulgação da Emenda Constitucional nº 25. Até então, esse grupo estava impedido de participar das eleições desde 1881. A mudança ampliou a participação popular no processo democrático e levou à adoção da identificação dos candidatos por números nas cédulas, recurso que posteriormente serviu de base para o sistema utilizado nas urnas eletrônicas.
Entre os eleitores que exercem esse direito está a aposentada Cleonice de Jesus, de 53 anos, moradora de Poxoréu. Mesmo sem saber ler e escrever, ela faz questão de comparecer às urnas em todas as eleições, por considerar importante participar da escolha dos representantes políticos.