A Voz do Povo: família que teve casa destruída por ônibus escolar em Sorriso aguarda por justiça

“Eu estar aqui é um milagre. Eu, minha esposa, meu neto e meu filho estávamos em casa. Era umas dez da noite. Parecia uma esteira quebrando madeira”.

Foi em meio a lágrimas que o sorrisense Francisco relatou sua história ao programa A Voz do Povo nesta semana. Segundo ele, pouco depois de irem se deitar na noite daquela segunda-feira, 22 de novembro de 2021, ele e os familiares perderam 22 anos de trabalho.

“Tinha uns dez minutos que a gente tinha deitado. Minha esposa já estava cochilando e eu como estava mais acordado, puxei ela pela perna, ela ficou com a perna machucada. Logo depois chegou meu neto correndo com o braço cortado. Saímos pela porta da cozinha, porque a porta da frente o ônibus tinha derrubado”, contou.

A família mantinha uma loja na parte da frente do imóvel e nos fundos uma sala de costura. “A gente faturava de 6 a 8 mil reais por mês. Era a vida da minha esposa e a minha. A gente construiu aquilo em 22 anos”, relatou emocionado.

Hoje, segundo Francisco, a vida está de cabeça para baixo. “Porque não sobrou nada. Eu trabalho, mas minha esposa ficou em situação desesperadora”.

Segundo ele, o que sobrou do imóvel a Defesa Civil condenou e mandou derrubar porque estava comprometido.

Sobre o acidente, Francisco recordou: “O motorista morava uns 100 metros para cima de nossa casa. Ele costumava parar o ônibus naquele local. De dia, o ônibus teve problema no freio e foi outro ônibus buscar alunos. Dizem que arrumou, mas a noite o acidente aconteceu quando ele saia para buscar alunos”.

Francisco e a família ficaram na rua e tiveram que procurar casa para alugar. “Alugamos uma casa e ficou acordado que o Senhor Peron [dono da empresa proprietária do ônibus] ia pagar o aluguel de R$1.400 reais. No primeiro mês ele pagou, depois eu tinha que ficar cobrando. Liguei no terceiro mês e aí tentamos fazer um acordo, mas não chegamos a bom termo. A advogada disse que como eu não aceitei o acordo, que eles não iriam pagar o aluguel”, contou.

Ele relata que tem R$ 59.600,00 em notas fiscais de mercadorias que eram revendidas e teriam sido destruídas, além de 5 maquinas novas que hoje custariam R$ 30 mil reais, fora o valor do imóvel destruído.

Além da ação contra a empresa, a vítima acionou judicialmente a Prefeitura de Sorriso. Nesta ação, o Juiz determinou que a Prefeitura pagasse o aluguel há mais de 60 dias.

A reportagem ouviu o integrante do Departamento Jurídico da Prefeitura, advogado Alex Sandro Monarim. Ele explicou que o dinheiro está sendo depositado em uma conta em Juízo. “A Procuradoria tomou conhecimento e a Prefeitura ofereceu defesa técnica e quanto a liminar concedida de que o município tem obrigação de ressarcir valor de aluguel enquanto o caso tramita, este valor está sendo pago. Tem inclusive manifestação do colega advogado da parte autora da ação para levantamento deste valor para onde deve ser transferido”, disse.

A empresa proprietária do ônibus escolar não quis conceder entrevista e disse que estudaria a possibilidade de emitir nota sobre o assunto, mas a nota não chegou à redação da Rádio Sorriso.

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