“Enquanto a guerra durar, alimentos e combustíveis terão alta”, diz economista

Na visão do professor de Macroeconomia do Insper, Fernando Ribeiro Leite, o impacto da guerra na Ucrânia na economia se acrescenta ao impacto da crise da pandemia, que já trouxe uma taxa de inflação alta para o mundo. “Teremos um baque muito forte na cadeira de alimentos e que se soma ao que já vimos das mudanças climáticas, que trouxeram chuvas escassas e abundantes em diferentes regiões, com quebra de safras”, explicou, em entrevista à CNN Rádio.

Para o economista, o preço dos alimentos subirá “ainda mais” do que no ano passado: “É o primeiro efeito localizado, real e concreto no bolso da família brasileira. “Embora evite ser catastrofista, o professor acredita que, no médio prazo, as perspectivas também não são boas, com a chamada estagflação no Brasil: “Economia que cresce pouco e com inflação alta.”

“Temos dois setores pressionados pela guerra e pelo fim da pandemia: alimentos e combustíveis. Enquanto a guerra estiver em andamento, teremos essa pressão e não sabemos quanto tempo ela vai durar, teremos mais inflação de alimentos e combustíveis e crescimento menor devido às incertezas globais”, defendeu.

Ao longo dos próximos 30 anos, de acordo com o economista, o mundo terá que passar por uma transição energética: “Haverá matrizes híbridas nos próximos anos, mas o caminho é para isso, para energia renovável.”

“Há mudanças no ciclo de mundo, além da guerra e da pandemia temos essas duas agendas, transição energética e lidar com mudanças climáticas”, completou.

 

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