Justiça interdita presídio de Sorriso após constatar superlotação e condições precárias

O Centro de Ressocialização de Sorriso foi interditado pela Justiça no dia 17 de novembro, depois que uma inspeção da Defensoria Pública revelou superlotação extrema e uma série de irregularidades, levando o juiz Rafael Depra Panichella a proibir o ingresso de novos detentos e determinar a transferência de presos excedentes.

A superlotação e as condições precárias levaram a Justiça a interditar, no dia 17 de novembro, o Centro de Ressocialização de Sorriso, a 420 km de Cuiabá. A decisão foi tomada pelo juiz da 1ª Vara Criminal, Rafael Depra Panichella, após constatar que a unidade, projetada para 166 pessoas, atualmente abriga 380 detentos — mais do que o dobro da capacidade.

A medida foi motivada por um pedido da Defensoria Pública do Estado (DPEMT), que realizou uma inspeção nos dias 15 e 16 de outubro. O relatório apontou uma série de irregularidades, como celas superlotadas, presos dormindo no chão, saneamento básico deficiente, falta de água potável, banheiros danificados, entupimentos constantes, alimentação insuficiente e atendimento médico limitado. O documento também alertou para o risco de rebeliões diante da ausência de atividades oferecidas aos internos.

Diante do quadro, o magistrado determinou a interdição imediata da unidade e proibiu o recebimento de novos presos. A restrição permanece até o julgamento definitivo do processo ou até que o número de detentos seja reduzido ao limite permitido. Ele também ordenou que o Estado apresente, em até 30 dias, um plano para diminuir a superlotação e que os presos excedentes sejam transferidos para unidades com melhores condições.

O juiz destacou na decisão que a situação do presídio fere princípios constitucionais, como a dignidade da pessoa humana e a vedação a tratamentos desumanos ou degradantes. Segundo a Resolução nº 05/2016 do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP), o Centro de Ressocialização só pode operar com até 227 detentos — número que deve ser alcançado após as transferências.

Caso as determinações não sejam cumpridas, o Estado poderá ser multado em R$ 2 mil por preso excedente. A Defensoria também recomendou a construção de uma nova unidade ou a ampliação da atual estrutura para atender à demanda regional, já que o presídio recebe internos provisórios e definitivos de Sorriso e de municípios vizinhos.

Veja também

Instalação artística “Estamos em Obras” propõe reflexão decolonial em Sorriso

Associação Anjos de Patas reforça trabalho de resgate animal e convida para feira de adoção neste sábado em Sorriso

A Voz do Povo destaca Festival da Picanha; evento acontece domingo (12)

Vacina contra a gripe já está disponível em todas as unidades de saúde para grupos de risco em Sorriso

Nova lei permite adoção de pontos de ônibus com espaço para publicidade em Sorriso

Seduc abre inscrições para o SuperChef da Educação 2026; concurso vai premiar melhores receitas com até R$ 9 mil