Número de alunos que decidiram parar os estudos cresce 112%

Número de matrículas trancadas nas universidades públicas em Mato Grosso aumentou 112% no primeiro ano da pandemia do novo coronavírus. Dados do Mapa do Ensino Superior no Brasil 2022, do Instituto Semesp, apontam que no Estado o número de trancamentos nos cursos presenciais passou de 7.523 em 2019 para 15.941 em 2020. São 8.418 pessoas que decidiram parar os estudos em apenas um ano.

No ensino superior, os alunos têm o direito de parar temporariamente a formação e essa ação não é excepcional, podendo ocorrer por inúmeros fatores. Mas durante a pandemia a proporção de alunos que trancou foi muito maior, já que de 2018 para 2019 o aumento de trancamentos foi de 4,5% no ensino público de Mato Grosso.

Matheus Vinícius de Oliveira, 23, está entre os estudantes da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) que deveria ter começado o curso em 2020, mas decidiu trancar. Estudante de Educação Física, ele retornou as aulas apenas neste ano com a volta do ensino presencial.

Matheus explica que na época também fazia faculdade de direito na rede particular e com o impacto da pandemia na economia do país, teve a necessidade de conseguir um estágio para ajudar nas despesas de casa. “Consegui e foi um dos motivos para eu ter trancado”.

Além das questões financeiras, conta que não conseguiu se adaptar à mudança provocada no ensino que deixou de ser presencial. “Eram muitas atividades e provas para fazer e não consegui me adaptar ao ensino remoto”.

Para o professor mestre em educação da UFMT, Bartolomeu José Ribeiro de Souza, um dos fatores que contribuíram para aumentar as matrículas trancadas foi a demora em organizar o ensino remoto.

Segundo Souza, nas universidades particulares esse ensino já acontecia, mesmo que de forma mais tímida, o que tornou mais fácil essa organização durante a pandemia e impactou menos nos trancamentos. “As particulares vêm investindo nisso há muito mais tempo”.

Outro ponto que impactou, segundo o professor, foram as questões envolvendo desemprego e economia, quando muitos jovens viram a necessidade de contribuir com a renda da família.

 

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