R$ 60 milhões do VLT já viraram sucata em Várzea Grande

Cerca de R$ 60 milhões já viraram “sucata” com a retirada dos trilhos e materiais rodantes do Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT), em Várzea Grande. O cálculo é baseado em cada quilômetro arrancado, até agora 4km no total. No fim desta ação, nos 6 km implantados, o prejuízo será de R$ 88,8 milhões. No início das obras de implantação dos trilhos, o valor por Km calculado pelo Consórcio VLT chegava a R$ 8 milhões.

Mas quase 11 anos depois, os valores corrigidos quase dobraram e chegam hoje a cerca de R$ 14,8 milhões. Até agora, o governo de Mato Grosso não decidiu sobre o destino final do material removido, mas especialistas apontam que os trilhos perderam sua finalidade. Considerada uma estrutura de alta performance, os trilhos produzidos na Polônia e na Espanha e feitos de aço possuem uma durabilidade de 25 a 30 anos. No mercado atual, a tonelada desse tipo de trilho chega a custar, em média, US$ 15 mil, o que equivale a mais de R$ 77 mil, mas com os danos causados para retirada não há como garantir que possam ser vendidos ou reaproveitados para essa finalidade.

Ao todo, o projeto previa uma distância de 22 km de trilhos, o que corresponde a aproximadamente 90 km de trilhos (material), que atravessariam as duas cidades. A remoção ocorre em 6 km de extensão e começou em dezembro do ano passado. Trabalhosa, é feita utilizando a mistura dos gases oxigênio e acetileno e deve seguir por mais algumas semanas.

Parte do material retirado, aquela que sofre menos danos com a remoção, está sendo armazenada em um barracão na avenida da FEB onde deverá funcionar a sede do Consórcio Construtor do Ônibus de Trânsito Rápido (BRT) Cuiabá, até que o Estado defina a sua destinação. Já a outra parte, a mais danificada estão no depósito do Consórcio VLT, localizado próximo ao Aeroporto Marechal Rondon, local que seria o ponto de partida e também final do modal.

A equipe esteve no lá e a sensação que se tem é de pesar e indignação. Difícil não sentir a carga da irresponsabilidade diante de tanto investimento. No cenário repleto de ferros, borrachas e destroços daquilo que deveria representar o avanço e modernidade é impossível não pensar no quanto a população sofreu e foi impactada por anos com as obras do modal. Até mesmo quem trabalha na remoção dos materiais é sensível ao absurdo diante dos olhos. “Uma coisa difícil de imaginar. Sem palavras”, afirma um deles.

O cenário nos faz refletir sobre quantas empresas fecharam suas portas, quantos empresários falidos que foram obrigados a enterrar seus sonhos. Em quantas vidas foram perdidas ao longo da FEB por causa da inércia diante dessa obra. Prejuízos financeiros e sociais “Trágico demais, mas já esperado”, é assim que o professor, doutor em Transporte Multimodal em Mato Grosso, Luiz Miguel Miranda que foi contra a escolha do VLT desde o início descreve o que ocorre agora.

De acordo com ele, que uma vez iniciado o modal, embora não concordasse torceu pela a conclusão, o desfecho atual de alguma forma já era esperado. “É doloroso diante de tudo que a cidade e a população já viveu, mas a gente sabia que só poderia terminar assim”. Ele explica ainda que grande parte do material retirado dos trilhos deve servir apenas como “sucata” já que é compostopor aço. Mesmo aquilo que sofreu “menos danos” já perdeu sua finalidade.

“É um material muito resistente e até para a retirada dele é difícil. Estão picando ele para caber, por isso não há como garantir a utilidade inicial dele”. Arquiteto e urbanista José Antônio Lemos afirma que os prejuízos vão além do que foi gasto e está sendo inutilizado como acontece com os trilhos nesse momento, e chega também ao impacto social e urbanístico causado. Ele lembra que a situação levou a desapropriações de inúmeras pessoas e comércios, causando um impacto social muito grande em toda a cidade.

Embora tenha defendido a implantação do BRT na época em que foi discutido qual seria o melhor para a Capital, ele lembra que uma vez definido pelo VLT e investido o tanto de recursos, além de tantas obras já feitas, chegou a defender a conclusão do modal. Agora, o arquiteto afirma que independente da escolha, os prejuízos já existem e o importante é garantir a conclusão de qualquer uma das obras.

“A omissão, a obra parada como está gera ainda mais prejuízos para todos. Então, se definiram pelo BRT agora, que haja conclusão dessas obras”. Uma saída Embora alguns materiais não tenham como ser reaproveitados, José Antônio Lemos lembra que o governo e prefeituras podem aproveitar algumas obras para o próprio BRT e para a população, diminuindo assim, o impacto dos prejuízos e garantindo o aproveitamento.

Lemos destaca algumas obras que podem ser úteis sem mais prejuízos, como, por exemplo, o terreno deixado pelo deslocamento do Atacadão. “Ali vira um espaço útil apenas com a limpeza, iluminação, arborização, com passeios públicos, bancos e aparelhos de ginástica”. Outra obra que teria uma grande utilidade social é a estação do VLT em frente ao aeroporto.

“Com pequenas adaptações poderia servir como confortável abrigo para os ônibus urbanos e metropolitanos”. O viaduto da Trigo de Loureiro, também já pronto, mas ainda fechado. “Sua desobstrução, sem dúvida ajudaria muito a avenida do CPA em um de seus trechos de maior conflito”. Por fim, ele lembra ainda da 3ª ponte Júlio Müller.

“Poderia ser tratada urbanisticamente como ciclovia e passagem de pedestres facilitando a vida dos que cruzam diariamente o rio, em especial os moradores do Porto e da Alameda”

Outro lado

Informações da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística de Mato Grosso (Sinfra-MT) são de que já foram retirados 16 km de trilhos, isso considerando os dois sentidos do modal (sentido Cuiabá e sentido Várzea Grande), e que cada lado/sentido tem dois eixos de trilhos. Segundo a pasta a foram removidos além dos trilhos, estruturas que serviriam como suporte para cabos energizados e pontos de paradas do modal. Informou ainda que o governo está avaliando o que será feito com o material retirado.

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