Sorriso: Luis Fabio Marchioro pede exoneração do cargo de Secretário de Saúde para não atrapalhar investigações sobre fraudes em cirurgias; confira coletiva na íntegra

O secretário Municipal de Saúde de Sorriso, Luis Fabio Marchioro que apresentou seu pedido de exoneração do cargo nesta terça-feira, 31/05, concedeu entrevista coletiva para a imprensa sorrisense sobre seu pedido de afastamento da pasta, que segundo ele, foi para não atrapalhar as investigações sobre possíveis desvios de recursos da secretaria. Está sendo apurado possíveis pagamentos em duplicidade de procedimentos cirúrgicos utilizando notas falsas para liberação de recursos obtidos por meio de ordens judiciais. O pedido de exoneração do cargo foi apresentado na tarde desta terça-feira (31/05) ao prefeito Ari Lafin, que aceitou o pedido.

Em uma conversa bastante longa, o secretário começou esclarecendo que a possível fraude teria sido denunciada por ele mesmo junto ao Ministério Público:

“Todos vocês estão acompanhando um caso que nós descobrimos, eu descobri e eu denunciei. Este é um fato muito importante, não é a polícia que investigou, não foi o Ministério Público que investigou, não é uma denúncia de controladoria interna, foi encontrado pela Secretaria de Saúde um esquema dentro da Secretaria de Saúde um esquema de duplicação em Notas Fiscais em pagamentos de ordens judiciais. Esse trabalho é extra secretaria, a Secretaria de Saúde não tem esse trabalho de acompanhamento de processos judiciais. O que acontece nesse processo, é aquele onde o cidadão não é atendido pelo Estado, o Estado é falho, não cumpre o seu papel, deixa a população em filas de espera, especialmente em cirurgias ortopédicas, de joelho, de braço, as neurológicas, de cabeça, de coração, e o cidadão não tem outro caminho, não sobre outra alternativa para os pacientes senão procurar a justiça. E nesse procurar a justiça, o caminho de busca de direitos para resolver seus problemas de saúde é o Ministério Público e a Defensoria Pública. E nós tínhamos aqui dentro, porque nós extinguimos, eu extingui o setor de acompanhamentos jurídicos da Secretaria de Saúde”.

Ele disse que uma servidora que atuava como apoio jurídico foi afastada da Secretaria de Saúde:

“Nós descobrimos que uma servidora, no mínimo uma servidora estava junto com uma empresa, que na verdade não é uma empresa é uma pessoa, um CNPJ em nome de uma pessoa estavam burlando as decisões judiciais, usando o nome do promotor de justiça, usando o nome do defensor público, usando o nome dos juízes que davam as decisões para fazer a falcatrua, falcatrua essa que eu vou repetir, foi descoberta por mim, por nós aqui da Secretaria de Saúde, que tem nome, endereço e valor. Não tem mais nenhuma suspeita”

O próprio secretário fez a denúncia no MPE:

“Eu fiz questão de levar até o Ministério Público, ao Gaeco, onde nós fizemos a denúncia. Além da nossa investigação interna eu fui pessoalmente falar com dois promotores, com os juízes, com o GAECO levando essa situação que eu quero que se esclareça”.

Porque apresentou o pedido de afastamento do cargo:

“No desenrolar dessa apuração eu percebi que o ambiente da Secretaria de Saúde já estava sendo prejudicado, porque servidores aqui honestos e trabalhadores que cumprem o seu papel com muita dedicação estão sendo taxados de corruptos, porque esta única servidora ou no máximo dois servidores fizeram essa ação aqui dentro. Nós descobrimos, nós estamos investigando e espero que quem estiver neste cargo a partir de então faça a devida punição e responsabilização para dar tranquilidade para os serviços de saúde que não podem parar. Hoje temos 100% dos PSFs funcionando, é assim que eu estou entregando a Secretaria de Saúde, sendo 4 deles com dois médicos cada um, PSF Fraternidade, PSF Rota do Sol, PSF Mário Raiter e PSF Anésia no Pinheiros 3. A UPA batendo recorde de atendimento com essa questão da gripe. Nós fizemos 3 mil cirurgias, em apenas um ano e três meses. Nunca foi feito tantas cirurgias para a população de Sorriso com recursos próprios. Todo esse trabalho estava sendo contaminado com essa investigação. Então para preservar o serviço público municipal da Secretaria Municipal de Saúde, o atendimento ao cidadão e o respeito aos funcionários que aqui trabalham, eu pedi ontem para o prefeito Ari Lafin para que eu pudesse deixar a função até que se esclareça tudo. Sem nenhuma dúvida, sem nenhuma mácula de que há alguma intervenção, algum tipo de contaminação da investigação”.
Eu lembro a vocês que já falei isso em outra oportunidade que eu entreguei a chave do escritório onde funcionava o setor jurídico na mão da promotora, na mão do GAECO. Então a partir de ontem, respondendo claramente, eu pedi a exoneração, o prefeito Ari Lafin aceitou e a partir de hoje, então a partir de amanhã eu não serei mais secretário de Saúde até que essa situação toda fique esclarecida.

Como Luis Fabio é um servidor é contratado, não será afastado e sim pediu exoneração do cargo:

“Vou acompanhar de perto, eu vou ter que gastar com advogado a partir de agora. Porque saindo da Prefeitura, minha vida se torna uma vida pessoal, então eu vou acompanhar e espero que o prefeito e quem vir pra cá me dê direito de acompanhar todo o andamento do processo. Estarei acompanhando junto ao Ministério Público, junto a todos os setores de investigação. O que queremos é transparência porque meu nome nunca foi atrelado a corrupção aqui em Sorriso, muito pelo contrário, quem me conhece sabe, inclusive pessoas que estão aí respondendo até hoje por atos de corrupção ficam difamando meu nome em rede de televisão. Então eu gostaria de falar para essas pessoas primeiro olhar o seu passado, olhar suas ponderações e depois apontar o dedo para mim, que não tenho nenhum resquício e nenhuma condenação”.
O secretario respondeu ainda que sai da secretaria de cabeça erguida e sem de consciência limpa. Questionado se poderia citar nomes dos envolvidos nas investigações “Eu não vou dizer nomes, porque eu posso incorrer em algum tipo de crime. Mas já estão conhecidos a servidora que trabalhava no setor jurídico aqui da Secretaria de Saúde e a empresa, que é uma empresa de Cuiabá, que fornecia apenas as notas. Ela não fazia o serviço, pelo que nós conseguimos constatar até agora ela fornecia apenas notas fiscais, um crime, entre aspas, comum de licitações, etc e tal mas que não tínhamos notícia de que alguém teria a audácia de usar um processo judicial, com a assinatura do juiz, assinatura do promotor, assinatura do defensor para poder colocar uma nota fiscal no meio. Como nós temos muitos processos, muita gente que não consegue ser atendida pelo Estado, que não consegue fazer a cirurgia no Hospital Regional ou em Cuiabá, os juízes tem que trabalhar muito, vem um monte de processo e no meio desses processos eles colocavam no meio uma nota falsa, uma nota duplicada de processos que já tinha sido feitos e era paga novamente”.

Luis Fabio disse como funcionava o esquema e porque ele assinava as liberações:

“Temos que entender o processo complexo. Não é um processo natural que vai para licitação, que tem três orçamentos, que vai tantos dias de publicação, depois faz um contrato, tem fiscais. Não, é uma decisão judicial que tem que ser cumprida. Decisão judicial não se discute, se cumpre. E nesse processo, quando vinham os pedidos de cumprimentos da sentença, que bloqueava os recursos do Governo do Estado, passava para o município, para o município pagar o prestador que fez a cirurgia, nesse meio termo acontecia o esquema. Ou seja, trocava a nota, por exemplo uma cirurgia de quadril, que custa 80 mil reais. O juiz mandava bloquear da conta do Governo do Estado e mandava os 80 mil para o Fundo Municipal de Saúde, e essa servidora trabalhava no repasse desses 80 mil para o prestador. Nesse monte de processos ela colocava duplicado, ou seja, eu errei, eu não vi que tinha o mesmo nome duas, três vezes. Porque ela ou elas (uma a trambiqueira e outra a dona da empresa) tinham o cuidado de há cada 4 meses colocar o mesmo processo. Há cada quatro meses eu já tinha esquecido se o João das Neves tinha feito a cirurgia de quadril, porque junto com a do João das Neves vinha da dona Maria, do seu Pedro, etc e tal e ali no meio você passa e assina. Eu atestei a nota fiscal, como também passou pela Secretaria de Fazenda, pela tesoureira, pelo prefeito que também assinou e foi usada também toda estrutura do Poder Judiciário, do Ministério Público e da Defensoria. Então foi algo que foi encontrado numa fragilidade dentro do sistema porque justamente decisão judicial não se discute, se cumpre. A melhor coisa para um gestor é quando vem uma decisão judicial, porque não se discute, se cumpre. Por isso que orientamos que o paciente entre na justiça porque se vier uma decisão judicial a gente cumpre e faz”.

Foi um crime organizado, foi questionado porque faltou fiscalização mais rigorosa com relação as liminares:

Na verdade ela não tem uma fiscalização regular, como eu disse é fora do ambiente do sistema da Secretaria de Saúde, porque a secretaria não tem um departamento jurídico, nossa procuradoria jurídica do município ela existe com seus advogados. O que temos aqui, nós recebemos a liminar, o juiz geralmente pede para arrumar três orçamentos e com esses três orçamentos o juiz pede para fazer no menor valor. Agora o juiz já está mandando o recurso direto para o prestador de serviço que fez a cirurgia.”

Algumas cirurgias foram pagas cinco, dez ou até mais vezes. Ele respondeu porque esse tanto de cirurgia passou sem ser percebido?

“Dessa maneira, porque vinha bem feito, dentro de um processo judicial, com assinatura do juiz, do promotor e do defensor, e o gestor não tinha como entender que o mesmo nome da dona Maria tinha sido apresentado em novembro do ano passado e depois a quadrilha ou crime organizado colocava novamente em fevereiro. Um crime organizado que na semana passada, pelo seu afoitamento, pela sua ganância, foi descoberto, porque tentou fazer o pagamento de mais três liminares duplicadas sem a minha assinatura. Quando apareceu na Secretaria de Fazenda para pagamento, lembrando que a secretaria de Saúde não faz pagamento, eu só autorizo, quem faz o pagamento é a tesouraria, a Secretaria de Fazenda. O funcionário chegou com um afoitamento porque o paciente estava no leito do hospital, correndo risco de morrer, chegou sem minha assinatura e aí foi o erro desse crime organizado, porque o tudo não é perfeito. Quando o Secretário de Fazenda me chamou, fui lá e disse que não autorizei nada, quando vi que era um pagamento sem minha autorização é que vimos o tamanho do negócio que estava instalado em Sorriso”.

O que se sabe até o momento sobre o montante do valor do que foi subtraído dos cofres públicos:

“Até agora constatamos sete pacientes. Pegamos a primeira em novembro de 2019. Então enquanto estávamos preocupados com a pandemia, eu tentando dar o meu melhor na pandemia. Não temos desvio de um esparadrapo, de um medicamento. O valor passa de um milhão de reais, mas pode ser mais ou pode ser menos, estamos verificando as notas que foram pagas em duplicidade. Claro que tem procedimentos que foram feitos e temos que abater do valor”.

Após a denúncia, se as pessoas estão sob responsabilidade pode ir presas:

“Primeiro fechamos o departamento e a chave está na mão da promotora de justiça e segundo os três servidores foram demitidos dos seus cargos porque o departamento não existindo, eles não tem o que fazer aqui. A empresa em questão, foi criada em 2019 e começou a emitir nota e de tão organizada que era, no ano passado a mesma proprietária, a mesma salafrária, ela pegou o CNPJ de uma nova empresa com o mesmo CNAI para então trocar de nome. Foi coisa de gente graúda, gente que sabia o que estava fazendo, malandro de primeira qualidade, mas foram pegos. A empresa é de Cuiabá, as pessoas são daqui. São pessoas que moram um pouco aqui, um pouco ali e saem com o cartão do CNPJ e a pastinha na mão para tentar dar golpes em cidades. Aqui em Sorriso, infelizmente nós caímos nesse golpe.”

Quando descobriu o esquema o que disse a servidora envolvida:

“Na verdade ela não atende mais o telefone. No primeiro dia chamei a servidora aqui porque achei que era erro. Eu inocentemente achei que era erro e chamei a servidora aqui. Aí vi que ficou nervosa, que não tinha explicação. Disse que foi ela que errou, que iria consertar e pedir a restituição da empresa. Mas eu passei só um caso pra ela, ela não sabia dos outros seis casos, quando ela viu que nós sabíamos tudo e que já tinha passado de um milhão de reais e que seria difícil ela restituir aí com certeza ela desapareceu”.

Quem seria o mentor do esquema:

“Em minha opinião, por isso pedi apoio do MPE, promotores, do Gaeco, da polícia, em minha humilde opinião, eu imagino que uma empresa aliciou uma servidora da Secretaria de Saúde, que gostou das benesses do dinheiro público, da usurpação do que não é dela e acabou entrando no esquema. Eu acho que essa empresa fica oferecendo isso em outros locais, eu imagino que não seja só em Sorriso. É só procurar o CNPJ da empresa você vê condenações, inclusive em operações contra corrupção em Cuiabá, está cheia de fama no Google, mas infelizmente entrou num flanco nosso que estava aberto e conseguiu emplacar até nós descobrirmos”.

Deixando o cargo, foi perguntado se não pode deixar brechas para as pessoas acharem que tem participação ou envolvimento no esquema:

“Eu sei da minha responsabilidade. Mas eu nunca tive em Sorriso nada a esconder. Eu cheguei aqui aos 8 anos de idade e vou fazer 43 anos de idade e nunca, podem procurar, inclusive em 2011 quando fui presidente da Câmara nós fomos, pela primeira vez editorial de um jornal de Cuiabá, como exemplo de combate à corrupção aqui em Sorriso. Sorriso estava fazendo seu papel. E desta vez quero fazer igual, quero que se investigue, que chegue a um denominador final e acredito, tenho quase certeza, a não ser que tenha mais uma ramificação, mas isso que eu falei pra vocês é o que eu imagino que vai ser encontrado. Eu espero a prisão dessas pessoas que arrebentaram com a minha vida. Eu estava aqui em um processo muito importante de avanço. A Secretaria de Saúde voando para entregar agora a hemodiálise, para entregar o SAMU, para entregar laboratório, pra entregar o CAPS, para entregar serviços e essas pessoas atrasaram o nosso desenvolvimento porque temos que parar o que estávamos fazendo para investigar o que está acontecendo”.

Foi questionado que ele pode ser apontado pelas pessoas como um possível corrupto, o que disse para a família:

“Essa questão de corrupto só acredita e dá atenção quem não me conhece. A população de Sorriso me conhece e quem me conhece sabe. Quem vem na porta do meu gabinete é atendido, é resolvido seu problema, é o coração que está na mesa, é a solução da dor das pessoas, pensar que um dia eu teria pensado em pegar um real de recurso da Saúde seria um crime hediondo. Inclusive eu já falei aqui em outras oportunidades que eu acho que é um pecado dos maiores, que a Elisa está aqui comigo, minha esposa, eu não admiti que roubassem dinheiro da Câmara, não admiti pedir propina para o prefeito da época que eu era oposição, e agora jamais vou permitir que roubem dinheiro da Saúde Pública”.

Luis Fabio foi questionado se estaria sendo usado como boi de piranha nessa história, porque tem outro escândalo em andamento na cidade de Sorriso. O senhor disse que o senhor mesmo descobriu esse esquema mas até estão estava abafado, alguém teria soltado isso para abafar o outro escândalo que está acontecendo:

“Essa pergunta eu não vou responder eu preciso que quem você está insinuando responda. Mas eu estou falando do fato do problema que eu tenho aqui na Secretaria porque eu vou ter que responder não sei por quantos anos até eu provar, que eu não tenho nada. Eu sei das consequências disso, eu errei porque confiei nas pessoas erradas mais uma vez. A confiança desencadeia isso, como vários casos que temos visto por aí. Agora essa outra situação que envolve, outro fator que eu quero que as pessoas saibam dividir, porque estou escutando as pessoas dizerem que tem funcionários fantasmas na Secretaria de Saúde. Gente, não tem nenhum funcionário fantasma na Secretaria de Saúde, não estou acusando ninguém que exista em algum lugar, aqui eu garanto que estão rigidamente esclarecidos. Esse fator que aconteceu aqui ele é isolado em um setor usando um esquema de sentenças judiciais, que inclusive o município fazia para ajudar o cidadão. Porque imagine a dona Maria do bairro São José vem ao Fórum e o juiz pede para ela levar três orçamentos, é a mesma coisa dizer que a pessoa vai morrer, porque não sabe nem ler e escrever direito, como vai pegar orçamentos nos hospitais. Com todo respeito, a recepcionista do hospital não vai nem atender essa senhora. Precisa de uma declaração de um médico, precisa de um orçamento conseguíamos os orçamentos. Esse trabalho não é feito mais na Secretaria de Saúde.”

O nome de Luis Fabio é colocado como um nome forte na política pelo trabalho realizado na Secretaria de Saúde e foi questionado se seria um possível candidato nas próximas eleições para prefeito e isso estaria incomodando algumas pessoas, politicamente falando:

“Eu não posso comentar sobre isso. Eu não digo por mim, não sou candidato de mim mesmo, mas com certeza absoluta o que vemos nas ruas, do trabalho que fizemos incomodou muita gente. Isso é claro, é básico, não posso ignorar isso. Tem gente nos bastidores da política que não querem o Luis Fabio como um nome que está crescendo como está. Sim, tem algumas pessoas nos bastidores que trabalham para que o Luis Fabio não seja candidato a nada e seja aniquilado e potencializam um fato que eu mesmo descobri e denunciei. A gestão Ari Lafin tem esse reconhecimento também pelo trabalho feito pelos servidores da Secretaria de Saúde. Os 74% que houve na reeleição do prefeito Ari Lafin muito teve a ver com o trabalho feito na pandemia pelos servidores da Saúde. Ele está muito chateado com essa situação por ter que retroceder no que estava avançando muito. Não me senti pressionado porque aguento pressão, já tive que colocar guarda na frente da minha casa para proteger minha família. Quero que a partir de amanhã não tendo o Luis Fábio aqui, eu espero que nós tenhamos tranquilidade para fazer essa investigação, que seja célere, e nós tenhamos um resultado, punindo, recuperando os recursos públicos que foram roubados do poder público e devolvidos para a população.

Sobre seu futuro político ele disse que não para por aqui, mas que coloca nas mãos de Deus:

“Não de maneira nenhuma, quero provar minha inocência, mas penso que tudo depende de Deus porque Deus coloca nossos objetivos, nosso futuro, se eu disser pra você que encerrei minha vida política, eu estou mentindo, porque a população padece e depende de quem defenda ela. Pode parecer demagogia num momento que estou falando de desvio de recursos públicos, eu estou me colocando a disposição para defende-la”.

O secretário afirmou que estima-se que o desvio com o esquema pode passar de um milhão de reais, pois o esquema já durava mais de dois anos:

“Isso só a investigação vai apurar, o que nós enquanto internamente fizemos, nós encontramos sete casos desde 2019. Como a empresa foi constituída em 2019, provavelmente que o esquema acontecia de lá pra cá. Quero voltar a pergunta sobre a família, quero agradecer a confiança da minha família porque tem sido dias muito difíceis, porque mesmo sabendo que não fiz nada de errado, que não devo, todos você conhecem minha vida, não tenho luxo, não tenho vida social, meu carro é um carro popular, mesmo assim a família sofre porque são tantas inverdades sendo ditas por pessoas que nem sequer me conhecem. As pessoas não se preocupam em conhecer quem é esse menino, de onde ele veio, onde ele já foi, o que ele já fez? Com um trabalho reconhecido nacionalmente como o que foi feito na pandemia salvando tanta gente é colocado em segundo plano para tentar incriminar. Eu não fiz nada, eu não roubei, eu denunciei, estou investigando e vou acompanhar até sair uma sentença e o dinheiro ser devolvido.

A Câmara já se posicionou que irá entrar com pedido de uma CPI para apurar os dois casos. E se ele sai magoado com o grupo de Ari Lafin:

“Não tenho mágoa com o prefeito Ari Lafin. Acho que o prefeito Ari Lafin na sua reeleição fez um arco grande de alianças com pessoas diferentes das pessoas que estavam no primeiro mandato e isso pode ter causado um desconforto aqui ou acolá. Mas o prefeito é um líder nato e consegue contornar isso. Mas dizer que estou chateado com a gestão não. É natural porque ficou muito grande a gestão no segundo mandato. Eu tentei respeitar todo mundo, eu respeitei cada colega, cada servidor, não levei para o campo político a situação. Se alguém não pode falar a mesma coisa, essa pessoa tem que se pronunciar. Sofro claro, nesse momento, mas eu não saio com magoa. Sobre a Câmara de Vereadores acho natural, eu mesmo quando fui vereador, acho que foi uma das legislaturas que mais teve CPI. Não posso ser contra porque me lembro que quando eu mesmo quando fui presidente que abriu a comissão processante que acabou por cassar três vereadores em Sorriso por corrupção. Esses vereadores recorreram dizendo que a Câmara tinha feito injustiça, perderam no Poder Judiciário de Sorriso, no Tribunal de Justiça de Cuiabá e também perderam em Brasília. Eu sou a favor de qualquer tipo de investigação. Disse que estou a disposição para ir a tribuna esclarecer qualquer dúvida”.

O que dizer para pessoas que também estavam aguardando cirurgias e perderam essa oportunidade por conta dessa duplicação de documentos:

“Ninguém perdeu cirurgia por conta dessa situação. Isso é fato isolado daquele paciente, nenhum paciente usa o valor do outro. O que houve foi um desfalque dos cofres públicos do município. Nós só não fizemos como dobramos o número de cirurgias feitas 2020, em 2021, fizemos 2500 cirurgias. Se alguém que fez cirurgia nesse município se chama Luis Fabio Marchioro porque nós investimos cinco milhões de reais. Este ano estamos deixando no orçamento para cirurgias 8 milhões de reais. Não tem falta de cirurgia por valor financeiro, tem sim um desfalque um roubo do dinheiro público. Mas a população poderia ser atendida pelo Estado, o nosso Hospital Regional poderia dar essa atenção, mas não dá, isso sim, segura as pessoas nas filas tanto tempo sem fazer suas cirurgias, se o Estado fizesse não precisaria ir na justiça tirar o trabalho do promotor e do defensor e as pessoas seriam atendidas”.

Luis Fabio disse que espera que os envolvidos sejam presos:

“Eu espero que elas sejam presas. Não posso mandar nem orientar promotor de Justiça, Gaeco, delegado de polícia. Temos informações de que já estariam por Cuiabá, mas eu não posso adiantar as investigações. Aqui internamente eu fiz o que eu poderia fazer que foi encontrar o problema e denunciar e vou ficar acompanhando e vou me pronunciar e responder na hora certa, porque era o gestor”.
O esquema pode estar acontecendo em outros municípios. As notas que recebemos tinham numeração assim, 13, 35, 42, então provavelmente essa empresa emitiu mais notas, ou então estaria pulando notas propositalmente, acho que não, mas pode ser que está atuando em outros municípios também, como eu disse ao GAECO, que se puxar um pouco mais vai encontrar coisa graúda no Estado de MT, descoberto pela fiscalização aqui no município de Sorriso.”

Foi questionado porque essa fiscalização não acontece antes de contratar as empresas:

É uma decisão judicial, não passa por lançamento de edital, licitação, busca de informações, não tem averiguações e nisso que acharam facilidade. Entra a decisão judicial, coloca três orçamentos, encontra o mais barato e paga o mais barato. Nesse mais barato repetia daqui três meses colocava outro, colocava outras cirurgias verdadeiras e depois de quatro a cinco meses coloca uma nota diferente no meio das outras cirurgias verdadeiras e passa. É bom esclarecer que isso não tem nada a ver com as cirurgias que são realizadas pela Prefeitura de Sorriso, que são feitas através do Consórcio de Saúde Teles Pires, auditadas, conferidas e fiscalizadas, como as feitas nos mutirões de catarata e pterígio no AME, essas cirurgias não tem nada a ver com as decisões judiciais. O problema de duplicação de notas são nas decisões judiciais. Essas cirurgias que fizemos agora, mais de três mil cirurgias, estão documentadas com nome, endereço e telefone das pessoas que fizeram”

O início das investigações foi por conta da ganancia é possível que já vinha acontecendo e passado despercebido antes:

“Temos várias vertentes, vários entendimentos, mas a linha mais reta é essa que a empresa aliciou a funcionária e a funcionária gostou da facilidade, se lambuzou com dinheiro público e acabou numa eventualidade e não sei o que aconteceu, alguém disse que alguém estava cobrando ela e ela tinha que pagar, e aí ela saiu correndo querendo pagar sem minha assinatura, foi aí que ela tropeçou e caiu”.

Respondeu se ele se sentiu enganado:

“Me senti usado, enganado, tapeado, feito de trouxa, o que me deixa mais triste porque não costumo dar brechas, alternativa para esse tipo de conduta, por isso estou deixando o cargo até que se esclareça tudo isso. A partir de amanhã vou buscar uma nova vida, algo diferente, não vivi só da vida política, eu estava tentando defender a população, dar à população tudo que nós podemos, somos o município que mais tem medicamentos, mais exames, mais PSF no estado de MT, temos até odontologia, muita coisa que estava sendo construída, que nós entregamos, quando passou a pandemia achei que iria descansar, mas veio mais este desafio”

Agradeceu a todos e lamentou sair da Secretaria no auge do seu trabalho:

“Quero agradecer a cada um de vocês porque é muito difícil tomar uma decisão como esta quando você está no auge, se fosse algo como estar em desgaste, tem que sair, não está dando certo, se fosse uma insatisfação minha, seria diferente, agora você sair no auge, deixar um trabalho que está todo planejado, vocês vão ver nos próximos dias. Espero que o próximo gestor termine tudo entregue o CAPS, entregue o PSF Central, o PSF Santa Clara, entregue a hemodiálise, tudo isso estamos deixando o SAMU está pronto praticamente e uma safada, sem vergonha derrubou tudo o que eu construí em quatro anos na Secretaria de Saúde. Eu não entendia nada de Saúde, vários de vocês desconfiaram de mim. Mas eu fui recebido por um grupo de profissionais altamente qualificados. Sorriso tem os melhores profissionais da saúde que um município poderia ter. E eles vão continuar aqui, tivemos uma despedida muito triste, mas disse da certeza que eles vão continuar levando esse trabalho em frente e defendendo a bandeira do SUS. Hoje sei da importância do SUS, se não tivesse o SUS não teria uma técnica de enfermagem para aplicar uma vacina lá do outro lado do rio Amazonas para aplicar uma vacina, não teria uma central de hemodiálise pra filtrar o sangue e manter um paciente vivo, não teria um médico em cada unidade de saúde e espero que todos vocês continuem falando bem da saúde pública. Saio de cabeça erguida, tenho orgulho de ser sorrisense e quero ainda contribuir muito com Sorriso, mas primeiro vou resolver esse problema que eu entrei, denunciei e investiguei”

Maninho Veículos
LCI Telecom
Programa Estação Sicredi

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