Estudante do ICMC cria aplicativo gratuito para ajudar vestibulandos no ingresso em universidades

Disponível para celulares Android, o Tita reúne videoaulas, materiais de estudo e recursos de inteligência artificial

Vinda de uma realidade difícil, em que dependia de um celular emprestado e da internet de um vizinho para estudar, a estudante Mariana Cardoso resolveu criar sozinha um aplicativo para democratizar o acesso às universidades públicas. Aluna do curso de Ciências da Computação do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC), da USP, em São Carlos, ela lançou o Tita.

A ferramenta reúne videoaulas, materiais de apoio, cronogramas personalizados e ferramentas de inteligência artificial (IA) para auxiliar estudantes na preparação para vestibulares. “Aos 15 anos, eu esperava minha mãe voltar do trabalho de noite para poder pegar o celular dela e sentar no corredor de casa para conseguir me preparar para o vestibular da ETEC de Olímpia. Foi difícil, mas valeu a pena porque a educação mudou completamente a minha vida”, conta.

Depois de ingressar na Escola Técnica Estadual José Carlos Seno Júnior (ETEC), onde fez dois cursos técnicos ao mesmo tempo, e de ter se apaixonado pela programação, Mariana percebeu que sua trajetória ainda era exceção. Primeira pessoa da família a entrar em uma universidade pública, passou a enxergar a tecnologia como uma forma de ampliar oportunidades para estudantes que enfrentam dificuldades semelhantes às que viveu. “Eu sempre vi a universidade pública como uma porta para mudar a vida das pessoas. Queria criar uma ferramenta que ajudasse quem não consegue pagar um cursinho e que organizasse todo o processo de estudo”, afirma.

Como funciona o Tita – O aplicativo foi pensado para reunir, em um único ambiente, recursos que normalmente estão espalhados por diferentes plataformas. Após criar uma conta, o estudante informa qual curso pretende prestar, quanto tempo poderá dedicar aos estudos em cada dia da semana e quais universidades públicas deseja tentar o ingresso. A partir dessas informações, o aplicativo monta um cronograma personalizado.

Cada etapa do plano de estudos direciona o usuário para videoaulas gratuitas do YouTube, além de disponibilizar apostilas em PDF que podem ser acessadas mesmo sem conexão com a internet. “Eu procurei organizar tudo da forma que eu gostaria de ter encontrado quando estava estudando”, explica.

Por meio de recursos de IA do aplicativo, o estudante consegue fazer uma revisão do conteúdo aprendido respondendo a questões inéditas geradas pela ferramenta. As perguntas começam em um nível mais básico e aumentam gradualmente de dificuldade, aproximando-se do estilo de vestibulares como o da Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest) e o da Unicamp. O aplicativo também reúne um banco com mais de 1,5 mil questões e oferece um sistema de correção de redações baseado em regras previamente definidas, apontando aspectos que precisam ser aprimorados.

Homenagem e próximos passos – Mariana levou cerca de oito meses para transformar sua ideia em um aplicativo. Durante esse período, precisou conciliar a graduação, o estágio no iFood e problemas de saúde, como o agravamento da fibromialgia. Mesmo assim, continuou aprimorando a plataforma. “Foi um trabalho enorme. Eu precisava revisar tudo, integrar as questões, conferir os materiais e aprender tecnologias que eu ainda não conhecia”, destaca.

O nome do aplicativo também carrega uma história interessante. A ideia inicial era chamá-lo de Luzia, em referência ao fóssil humano mais antigo encontrado nas Américas. Como o nome já estava em uso, Mariana buscou outra inspiração enquanto lia Quarto de Despejo, de Carolina Maria de Jesus. Foi então que escolheu Tita, apelido da escritora mineira. “Não existe pessoa melhor para homenagear. Ela não teve oportunidade de acessar a educação, mesmo tendo uma literatura tão rica”, ressalta.

A estudante já começou a receber os primeiros retornos de quem utiliza o aplicativo. Entre os usuários estão sua irmã, que se prepara para o vestibular, e professores que passaram a adotar a plataforma como complemento às atividades em sala de aula. “Todo mundo adorou. O principal retorno que tive é das pessoas dizendo que o aplicativo ajuda a direcionar os estudos e mostra o que priorizar para cada vestibular”, diz.

Segundo Mariana, o próximo passo é ampliar a infraestrutura do Tita. Atualmente, a capacidade do aplicativo é limitada pelos custos dos recursos de inteligência artificial, o que restringe o número de usuários simultâneos. Por isso, ela busca parcerias e patrocinadores para expandir a plataforma.

Entre as possibilidades está uma colaboração com o iFood, empresa onde atua como estagiária na área de IA generativa. A estudante explica que a companhia desenvolve iniciativas voltadas à educação de seus colaboradores, como programas de conclusão do ensino médio e acesso ao ensino superior, o que abre espaço para uma possível parceria. “Preciso de patrocínio para ampliar a plataforma e incorporar novas funcionalidades para atender um número maior de estudantes”, afirma.

Programa Estação Sicredi

Veja também

Educação de Sorriso entra em recesso com balanço positivo do semestre e anuncia avanços na rede municipal

Promotor incentiva participação da população na construção do Plano Municipal do Livro e da Leitura em Sorriso

Faculdade Atenas anuncia vestibular de Medicina e confirma novo curso de Psicologia para 2027

Seduc lança Olimpíada de Matemática para estudantes da Rede Estadual de Ensino nesta quarta-feira (1º)

Inscrições em programa de estágio para alunas do Ensino Médio terminam no dia 30 de junho

Censo Escolar: Brasil reduz índices de reprovação, abandono e atraso