As penas chegam a mais de 30 anos de prisão e incluem um policial penal e apontados líderes do grupo.
Proferida no dia 30 de abril pela 5ª Vara Criminal de Sinop (MT), a sentença da Operação Escariotes resultou na condenação de 11 pessoas por envolvimento com uma organização criminosa ligada ao Comando Vermelho, com penas que, em alguns casos, ultrapassam 30 anos de prisão. Entre os condenados estão um policial penal e apontados líderes do grupo.
A maior punição foi aplicada a Daniel de Oliveira Souza, considerado um dos principais articuladores da facção. Ele recebeu pena de 31 anos, 7 meses e 24 dias de reclusão em regime fechado, além de 1.633 dias-multa. Conforme a decisão, mesmo já preso, ele continuava comandando as atividades criminosas de dentro da unidade prisional, utilizando celulares introduzidos ilegalmente.
Outro destaque da sentença é o policial penal Márcio de Figueiredo, que atuava no Complexo Penitenciário Ahmenon Lemos Dantas, em Várzea Grande. Ele foi condenado a 19 anos e 4 meses de prisão em regime fechado, pagamento de 1.133 dias-multa e perda do cargo público. A Justiça entendeu que ele facilitava a entrada de celulares e drogas no presídio, contribuindo diretamente para a atuação da facção.
As demais penas variam entre cinco e 16 anos de prisão. Nove réus permanecerão em regime fechado, com a prisão preventiva mantida devido à gravidade dos crimes, à estrutura organizada do grupo e ao risco à ordem pública. Já Breno Hugo do Nascimento Tavares e Jackson Alejandro de Jesus foram condenados ao regime semiaberto.
As investigações tiveram início após um homicídio registrado em março de 2024, quando as autoridades identificaram uma rede criminosa estruturada e hierarquizada, com atuação tanto dentro quanto fora do sistema prisional. O grupo utilizava aplicativos de mensagens para coordenar atividades ilícitas, como tráfico de drogas, extorsões e fraudes, além de ordenar crimes a partir de celulares dentro das unidades prisionais.
A denúncia foi apresentada em fevereiro de 2025 pelo Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco) de Sinop. Segundo os promotores Marcelo Linhares Ferreira, Roberta Cheregati Sanches e Carina Sfredo Dalmolin, o Ministério Público deve recorrer da decisão para buscar o aumento das penas.
Também foram condenados: Breno Hugo do Nascimento Tavares; Diego Pessoa de Oliveira; Jackson Alejandro de Jesus; Jonathan Willian da Silva Lima; Jonas Rodrigues da Silva Neto; Mateus Luan Magalhães de Quadros; Vanilson Nunes de Sousa; Victor Rafael Venit e Vitória Caroline Alves Cardoso. A defesa dos citados não foi localizada até a última atualização.