Produtoras lideram propriedades, adotam inovação e encontram apoio em iniciativas do CAT Sorriso voltadas à capacitação e ao fortalecimento feminino no agro
O trabalho no campo começa bem cedo. No auge da colheita dos 700 pés de pitaya, a produtora rural Luciana Estruzani tem um dia longo para atender à demanda de clientes da região de Sorriso. As atividades vão muito além da colheita: ela administra a propriedade, gerencia as vendas e ainda divide o tempo atuando como uma das diretoras da Associação de Pequenos Produtores Rurais do Rio Celeste (Aprocel), que representa mais de 200 famílias do Assentamento Jonas Pinheiro, localizado entre Sorriso e Vera.
“Antigamente, na época da minha avó, a mulher era para ficar na cozinha, fazer um docinho de leite. Hoje não. Hoje a mulher cuida de tudo. Eu estou à frente de tudo na tomada de decisões”, afirma Luciana. “Hoje, a mulher que trabalha no campo é mais valorizada”, avalia a produtora rural sobre a evolução dos espaços que as mulheres passaram a ocupar.
Luciana é uma das pioneiras na produção de pitaya na região de Sorriso. Ela está entre os 18 agricultores familiares que possuem o Selo de Identificação de Origem da Agricultura Familiar – no Coração de Mato Grosso, criado pela Associação Clube Amigos da Terra (CAT Sorriso). O selo assegura a rastreabilidade do produto, valoriza a produção e amplia sua presença no mercado regional.
Assim como Luciana, outras mulheres que estão à frente da gestão das propriedades vêm participando de iniciativas do CAT que promovem formação e troca de experiências por meio de rodas de conversa, treinamentos e palestras. “As profissionais do CAT me ajudaram muito, me deram apoio, incentivo e cursos. É uma parceria maravilhosa”, afirma a produtora rural.
“As mulheres sempre estiveram presentes no agro, mas hoje assumem cada vez mais papéis de liderança na gestão das propriedades, na adoção de tecnologia e nas iniciativas de sustentabilidade no campo”, avalia a presidente do CAT e produtora rural, Márcia Becker Paiva.
Nos últimos 14 anos, a Associação Clube Amigos da Terra promove anualmente um fórum regional que reúne centenas de mulheres de pequenas, médias e grandes propriedades, além daquelas que também vivem na cidade e têm alguma ligação com a agropecuária. Foi após participar de um desses encontros que a produtora rural Maricilda Ludwig decidiu investir no cultivo de verduras e legumes orgânicos.
“Ali, no fórum regional, foi despertado esse sinal de produzir algo diferente. Um ano depois veio a proposta de produzir orgânicos. Foi quando começamos a virada: veio a assistência técnica, tivemos todo o suporte e deu tudo certo”, conta Maricilda.
Além da diversificação de produtos, a produtora rural investiu em tecnologia. “A nossa meta é chegar a 3 mil m² de área coberta, com estufa irrigada”, diz. Na chácara são produzidos cenoura, beterraba, batata-doce, frutas e uma variedade de hortaliças. A produção é vendida em feiras de orgânicos e outros pontos de comercialização na região. “Hoje nós vivemos o sonho que tínhamos. Com a estufa, temos condições de produzir o ano todo”, relata.
As histórias de Luciana e de Maricilda representam bem a de muitas outras mulheres que se dedicam à produção de alimentos e se realizam por meio da atividade no campo. “No CAT Sorriso vemos isso muito claramente: mulheres participando ativamente das decisões, da organização das comunidades rurais e da construção de uma agricultura mais responsável. Fortalecer a presença feminina no agro significa fortalecer também as famílias, a inovação e o futuro da produção agrícola”, afirma a presidente do CAT Sorriso, Márcia Becker Paiva.