O mês de conscientização sobre saúde e segurança no trabalho reacende o alerta para uma realidade preocupante no Brasil: um acidente laboral acontece a cada minuto no país. Em Mato Grosso, onde são registrados mais de 10 mil casos por ano, a fiscalização deve ganhar reforço nos próximos meses, especialmente na região norte do estado.
Durante o Abril Verde, campanha voltada à prevenção de acidentes e doenças ocupacionais, os números chamam atenção para a necessidade de ampliar medidas de segurança dentro das empresas e no campo. Sobre o tema, o programa A Voz do Povo ouviu hoje (23), o Engenheiro de Segurança do Trabalho Renan Araújo Santos, da R.A. Soluções.
Ele destacou que no cenário nacional, além da média de um acidente por minuto, os casos mais graves resultam na morte de um trabalhador a cada 3 horas e 33 minutos, evidenciando a gravidade do problema.
Em Mato Grosso, setores estratégicos como agronegócio, indústria e construção civil concentram grande parte das ocorrências. No meio rural, as operações com grãos e silos estão entre as atividades de maior risco. O estado, inclusive, aparece entre os líderes nacionais em acidentes envolvendo esse tipo de operação.
Especialistas apontam que boa parte dos casos está relacionada à ausência de procedimentos básicos de segurança, falhas operacionais e falta de treinamento adequado dos trabalhadores.
Outro dado preocupante, segundo o entrevistado, envolve o combate ao trabalho análogo à escravidão. Atualmente, 13 empregadores de Mato Grosso integram a chamada “lista suja” do Ministério do Trabalho, sendo dois deles no município de Sorriso.
A tendência é de maior rigor nas fiscalizações. Com a criação da Gerência Regional do Trabalho em Sinop, a região norte do estado passará a contar com atuação direta de auditores-fiscais. A partir de julho, mais de oito profissionais devem atuar localmente, inclusive na apuração de acidentes de trabalho.
As consequências de um acidente laboral vão além do momento da ocorrência. Para o trabalhador, podem significar afastamento, sequelas permanentes e até morte. Já para as empresas, os impactos incluem multas administrativas, ações judiciais, indenizações, aumento de encargos previdenciários e até paralisação das atividades.
Renan destacou que a campanha Abril Verde vem para prevenir acidentes, o que é responsabilidade coletiva e passa por investimento em treinamento, equipamentos adequados e cumprimento rigoroso das normas de segurança. Veja a entrevista no vídeo.