As ações resultaram em mandados de prisão, buscas, bloqueios de contas e afastamento de servidores, além de apurações sobre desvios de veículos apreendidos e financiamentos fraudulentos.
A Polícia Civil realizou, na manhã desta terça-feira, duas operações simultâneas em Sorriso para desarticular esquemas investigados por fraudes, lavagem de dinheiro, corrupção, falsificação de documentos e crimes patrimoniais. As ações foram coordenadas pela Delegacia de Sorriso, por meio do Núcleo de Combate ao Estelionato e Lavagem de Dinheiro, durante a segunda fase da Operação Eidolon e a deflagração da Operação Falso Mestre.
Na Operação Eidolon, as investigações apontaram a atuação de uma organização criminosa suspeita de retirar ilegalmente veículos apreendidos em pátios conveniados da administração pública municipal. Conforme a Polícia Civil, o grupo utilizava procurações fraudulentas, documentos falsificados e possíveis facilidades obtidas com apoio de agentes públicos para liberar motocicletas e outros veículos com pendências administrativas e baixa chance de recuperação pelos proprietários.
As apurações indicaram divisão de funções entre os investigados, envolvendo servidores públicos, intermediadores, falsificadores e receptadores. Durante as diligências, os policiais identificaram suspeitos com acesso a sistemas públicos e pessoas ligadas a procedimentos cartorários responsáveis por inserir informações falsas e autenticar documentos utilizados nas fraudes.
A Justiça autorizou cinco mandados de prisão, nove mandados de busca e apreensão, bloqueio de contas bancárias, afastamento de função pública, suspensão de registros empresariais e quebra de sigilo financeiro dos investigados. Entre os alvos está um guarda municipal apontado como liderança operacional do esquema e um juiz de paz suspeito de facilitar procedimentos cartorários usados nas fraudes.
Já a Operação Falso Mestre começou após uma vítima denunciar que entregou documentos pessoais acreditando estar realizando matrícula em um curso de Educação de Jovens e Adultos (EJA). Segundo as investigações, um ex-professor teria usado a relação de confiança para aplicar golpes financeiros, utilizando os documentos para realizar financiamentos de veículos sem autorização da vítima.
Os investigadores identificaram contratos fraudulentos envolvendo automóveis como um GM Cobalt e um Jeep Renegade, além de movimentações financeiras suspeitas e participação de pessoas responsáveis pela falsificação documental e regularização irregular dos veículos. Também foram identificados indícios da participação de pessoas ligadas a cartórios, incluindo um juiz de paz suspeito de auxiliar nos procedimentos fraudulentos.
Na Operação Falso Mestre foram cumpridos dois mandados de prisão e sete de busca e apreensão. Os investigados poderão responder por crimes como estelionato, associação criminosa, lavagem de dinheiro e falsificação de documentos públicos.
O delegado Thiago Meira destacou que as operações contaram com apoio das regionais da Polícia Civil de Sinop e Nova Mutum, além da colaboração das polícias civis de Santa Catarina e Amazonas para cumprimento de mandados fora do estado.